Foi lançado na terça-feira, 23, pelo Ministério da Saúde (MS), um kit com tecnologia nacional para diagnosticar o vírus da influenza H1N1. Com isso, o país ficará menos dependente do mercado internacional.
O kit será fabricado por um consórcio entre Fiocruz, por meio de Biomanguinhos e do Instituto Carlos Chagas (ICC), com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O governo federal investiu R$ 3,36 milhões nesse projeto.
Segundo o MS, o Brasil terá capacidade de produzir 80 mil testes por mês, quantidade suficiente para atender a demanda nacional.
O teste brasileiro é, pelo menos, 55% mais barato que os insumos importados. O material produzido em outros países custa entre R$ 100 e R$ 150, enquanto o kit nacional custa R$ 45, aproximadamente.
A tecnologia desenvolvida no país torna o teste ainda mais confiável e mais rápido do que os kits importados. O resultado é entregue em quatro horas, metade do tempo atual.
“Com esse projeto, o Brasil sai à frente na qualificação do diagnóstico de gripe H1N1. É uma tecnologia superior e mais segura que poderá, inclusive, ser exportada futuramente a outros países”, comemora o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
O kit nacional reúne em apenas um produto (que contém dois tubos) os reagentes biomoleculares utilizados para detecção do vírus. Em países como Estados Unidos, França e Alemanha – principais fornecedores mundiais de insumos para diagnóstico de H1N1 − esses materiais são vendidos separadamente e misturados pelos profissionais do laboratório. Agora, sem necessidade desse procedimento, diminuirá o risco de falha humana e desperdício na manipulação dos insumos.
O teste será distribuído aos três laboratórios de referência para o diagnóstico da gripe H1N1: Fiocruz, Instituto Evandro Chagas (Pará) e Instituto Adolf Lutz (São Paulo); e a três Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) localizados no Distrito Federal, no Paraná e na Bahia. Por enquanto, o teste nacional não estará disponível para laboratórios particulares.
Esses seis laboratórios contam com novas plataformas tecnológicas para o diagnóstico da gripe pandêmica. Elas fazem parte de um projeto-piloto brasileiro para detectar o vírus H1N1 e que, futuramente, também será utilizado para diagnosticar outras doenças, como aids, dengue, hepatite, meningites e outros problemas respiratórios. A proposta do governo federal é expandir as plataformas a outros Lacens depois que o projeto-piloto for consolidado, montando uma rede nacional de diagnóstico.
As plataformas são formadas por três máquinas – dois robôs e um computador – que realizam todas as etapas de identificação do vírus H1N1 de forma automatizada, sem interferência humana. Atualmente, a tecnologia utilizada nos laboratórios habilitados para o exame é menos automatizada e, portanto, mais lenta.