Realizada no site da SBPC/ML em junho e julho, a pesquisa é importante para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avaliar a situação do mercado após a implantação da Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) e da Troca de Informações em Saúde Suplementar (TISS).
A TUSS apresenta uma nova codificação para os procedimentos médicos, inclusive exames laboratoriais, e tem como base a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), criada pela Associação Médica Brasileira.
Muitos procedimentos já em uso e outros incluídos no Rol da ANS não constavam da última versão da CBHPM. Por isso, foi preciso identificá-los e codificá-los para evitar problemas no funcionamento do setor de saúde suplementar.
"Segundo a ANS, para garantir a perfeita correlação entre os procedimentos utilizados atualmente e os adotados no novo padrão, foi planejado que cada operadora deveria enviar à sua rede de prestadores de serviços, a correlação existente entre a tabelas atuais e a nova (TUSS), incluindo a precificação de cada procedimento", explica o diretor de Acreditação da SBPC/ML, Wilson Shcolnik. Ele o diretor de Defesa de Classe, Paulo Azevedo, representam a Sociedade no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (Copiss).
A proposta de realizar a pesquisa foi iniciativa da SBPC/ML, que participa do Copiss, e foi aceita por unanimidade pelos demais membros (ANS, Abramge, Fenasaude, Unimed, Santa Casas de Misericórdia, Unidas, AMB, Fenam, Anahp e FBH).
"A SBPC/ML entende que, neste momento, a implantação da TUSS assumirá seu nível mais crítico porque, se não houver um completo conhecimento das codificações a serem utilizadas e os respectivos relacionamentos com os antigos códigos e honorários recebidos, haverá risco para o atendimento a usuários do sistema suplementar e para o pagamento aos prestadores de serviços", diz Shcolnik.
Questionário on line
Os laboratórios que participaram da pesquisa responderam um questionário on line. Os resultados, sem a identificação das empresas, serão apresentados em reunião do Copiss.
Participaram 74 laboratórios de diferentes estados. Para realizar a pesquisa a SBPC/ML recebeu o apoio da ControlLab, Sindlab MG, Sinlab PR, Sindilapac RJ e Sindhosp.
"Os resultados mostram que, infelizmente, os procedimentos indicados na Instrução Normativa 42, da ANS, ainda não foram respeitados pelas operadoras. Em agosto termina o prazo para elas enviarem à sua rede credenciada a correlação entre as tabelas, mas até 20 de julho, quando terminou a pesquisa, 58% dos laboratórios não haviam recebido", lamenta Shcolnik.
Ele acrescenta que os resultados coincidem com os encontrados pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e pela Federação Brasileira de Hospitais (FBH), que também pesquisaram o setor que representam.
"Nos próximos meses os prestadores devem analisar com atenção as faturas enviadas, no sentido de identificarem possíveis glosas decorrentes de uso de codificação e preços incorretos", alerta o diretor da SBPC/ML.
TISS também foi avaliado
A pesquisa também procurou obter informações sobre os resultados da implantação da TISS nos laboratórios. Entre os que responderam, o impacto no setor de atendimento foi positivo para apenas 43%, enquanto 55% disseram que melhorou na área de faturamento.
Também chama a atenção o percentual de glosas, que aumentou para 46%, enquanto 22% disseram que não houve alterações.
"Isso mostra que antigos problemas relacionados à implantação da TISS não foram solucionados. Entre eles podemos citar a exigência de codificação manual nas guias de exames laboratoriais, a impossibilidade de enviar faturas por meio eletrônico e o numero elevado de glosas", conclui o diretor da SBPC/ML.
Consulte e resultado final da pesquisa
(arquivo em formato pdf - 256KB)