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Arboviroses no centro de discussões da última conferência magna do 53º CBPC/ML

A conferência magna do penúltimo dia do 53º CBPC/ML foi conduzida pelo Prof. Pedro Vasconcelos, médico virologista, pesquisador e Coordenador do Laboratório de Referência Nacional de Dengue, Febre Amarela, Chikungunya, Febre do Mayaro, West Nile e outras arboviroses no Instituto Evandro Chagas (IEC), do qual é Diretor.

O especialista trouxe à tona as arboviroses e destacou algumas doenças que são temas de pesquisa e especialidade do Instituto Evandro Chagas (IEC), que é recordista mundial de vírus isolados pela biodiversidade. 

O professor alertou que para todas as arboviroses estão diretamente ligadas com as ações causadas no ecossistema. “Observamos que qualquer intervenção reflete pouco tempo depois e também cresce o risco de urbanização dessas doenças que originalmente são consideradas ‘da floresta’”, alertou. 

Foram apresentados panoramas gerais de algumas das principais arboviroses observadas no Brasil. Sobre a dengue, o Professor Pedro Vasconcelos chamou a atenção para o número crescente de casos e dos óbitos causados pela doença, que já conta com quatro tipos diferentes introduzidos no território e que se alternam nas epidemias, dificultando o seu combate e diagnóstico. 

A Febre Chikungunya segue o mesmo comportamento, com elevado número de óbitos. A doença também é identificada como causa do nascimento de muitos bebês com patologias graves como sepse. De cada oito bebês que nascem, três morrem. O estado do Ceará teve mais de 100 óbitos em 2019 e a capacidade de diagnóstico da doença é limitada. 

O Professor deu destaque para os dados da Zyka, que é seu principal objeto de estudo. Segundo ele, a entrada da doença no Brasil foi identificada entre maio e junho de 2013 e somente em novembro de 2015, o seu grupo de pesquisa do IEC conseguiu identificar a ligação entre o vírus e o nascimento dos bebês com microcefalia. Em seguida, a Organização Mundial da Saúde reconheceu a vinculação. 

No entanto, o especialista alertou que “a microcefalia é apenas a ponta do iceberg para as possíveis implicações do Zika, que também pode causar, aborto, déficit auditivo, epilepsia, retardo mental, doenças endócrinas e etc”. A forma congênita da doença é tida como mais grave do que a infecção direta. “O desenvolvimento de vacina é uma urgência, pois dentro de sete ou oito anos, teremos uma nova epidemia”, previu.