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Avanços na oncogenética motivam debate no 53º CBPC/ML Especialistas debatem histórico da área e as novidades em testes genéticos

Na quinta-feira (25), o 53º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML) recebeu a mesa redonda “Avanços em Oncogenética”, composta pelo especialista em genômica do câncer do Hospital Israelita Albert Einstein, Paulo Vidal Campregher, pelo médico patologista Cristovam Scapulatempo Neto, responsável pela Patologia Molecular do DASA, e pela bióloga Roberta Sitnik, especialista do Laboratório de Técnicas Especiais do Hospital Israelita Albert Einstein.

Scapulatempo Neto trouxe para o CBPC/ML uma apresentação recheada de dados de publicações científicas para abordar a biologia molecular dos tumores sólidos. Ele destacou que o médico alemão Rudolf Virchow é considerado “o pai da Patologia celular” e “descreveu, pela primeira vez, uma leucemia”. Para Scapulatempo, o “The Cancer Genome Atlas” (TCGA) é “um marco da oncologia moderna”, em que “a partir daí, houve um avanço enorme.

O patologista brincou que “o câncer é um ser muito inteligente” e chamou a atenção para a importância da medicina personalizada. Segundo ele, “precisa refinar cada vez mais o diagnóstico”. O especialista defendeu a iniciativa privada para o financiamento dos testes genéticos. Ao longo da apresentação, mencionou que é necessário entender o impacto clínico de cada mutação, os mecanismos de resistência e discorreu sobre a recombinação homóloga, comentando sobre inibidores de PARP em tumores com essa recombinação deficiente. Além disso, explorou também como contornar as limitações biológicas dos testes moleculares.

Já Campregher apresentou avanços em oncohematologia, iniciando com o estudo do médico inglês John Hughes Bennett, o primeiro a descrever a leucemia como um distúrbio sanguíneo. O especialista mostrou infográfico sobre o avanço no risco do câncer e seus diversos fatores. Mais adiante, debruçou especificamente sobre as doenças mieloproliferativas, com casos reais de pacientes. Conforme ele, “não basta enquadrar o paciente no diagnóstico dele”. 

Campregher pontuou que “o mundo da hematologia e da oncologia tem muito em comum” e que “quase toda doença hematológica pode ser tratada com transplante de medula óssea”. Já especificamente sobre a leucemia mieloide aguda, ele trouxe informações sobre novas drogas recentemente aprovadas pelo FDA e alertou que “o paciente idoso não aguenta o tratamento em sua potência máxima, ou seja, a quimioterapia e o transplante de medula”. Situou, também, como é importante verificar se há mutação, pois “as células podem parecer normais”.

Sitnik, a última a falar, levantou o tema de cânceres hereditários. Ela disse ao público que “todo câncer é genético, mas nem todo câncer é hereditário”. Dotada de gráficos, sua apresentação comparou a incidência de cânceres familiar, hereditário e esporádico. Ela exibiu exemplos de células normais e com mutação. Neste último, “deve-se procurar, além do oncologista, também um geneticista”. 

A bióloga ainda relatou brevemente algumas síndromes de cânceres hereditários e suas bases. Também advogou pela investigação no diagnóstico, com dados detalhados sobre o fenótipo e história familiar completa. Segundo ela, isso é “importante, mas nem sempre disponível”. 

Em seguida, contrastou benefícios e limitações dos testes genéticos e as respectivas interpretações. Especialmente sobre a síndrome do câncer de mama e ovário (HBOC), citou os genes envolvidos – BRCA 1/2 – e a frequência de portadores. Por conta disso, Sitnik jogou uma luz sobre o “Efeito Angelina Jolie”. A atriz foi submetida em 2013 a uma mastectomia dupla preventiva após saber que tinha um risco de 87% de desenvolver câncer de mama. Depois disso, houve um aumento de 40% em testes laboratoriais para checagem do BRCA.