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Conferência magna faz jus ao tema do 53º CBPC/ML “Fazendo o Futuro Acontecer”

Atividade conduzida pela cientista Lívia Eberlin foi destaque do segundo dia de atividades

Uma das atividades mais esperadas pelos congressistas do 53º CBPC/ML era a conferência magna que foi conduzida por Lívia Eberlin, a cientista brasileira que desenvolveu a caneta que detecta tecido canceroso durante cirurgias, através da espectrometria de massas. 

A professora da Universidade da Universidade do Texas em Austin, explicou que o projeto começou há quatro anos, com o objetivo de proporcionar uma análise de tecido em tempo real para os cirurgiões. Atualmente a avaliação é feita através de uma amostra ex vivo, ou seja, já retirada do paciente, que é levada para um laboratório anexo à sala de cirurgia, onde um patologista analisa o material, enquanto o cirurgião aguarda o resultado com o paciente na mesa. O processo pode levar de 30 minutos a uma hora para ser finalizado. Segundo a especialista, a margem de erro desta análise é de 30% para câncer de pâncreas, por exemplo. 

Com a MasPec Pen, nome do dispositivo desenvolvido por Lívia Eberlin, é possível identificar células de tecido canceroso em apenas 10 segundos. “O aparelho pode ser utilizado pelo próprio cirurgião e permite identificar rapidamente as margens negativas garantindo a remoção total de tumores sólidos”, afirmou. 

A caneta é produzida através de impressão 3D, com materiais biocompatíveis, é esterelizável e descartável. Ela é conectada através de um tubo ao espectômetro de massa, onde a análise é feita. O aparelho conta com um pedal, que é responsável por ativar o processo, que ao ser finalizado emite um sinal sonoro. Um monitor exibe o resultado da composição celular do tecido avaliado de forma bastante didática e clara. 

A heterogeneidade dos tecidos, mesmo em amostras consideradas “normais”, foi um ponto levantado e considerado crucial para o projeto. Por isso, uma espécie de tinta foi utilizada para “estampar” os mais variados tipos de tecido, considerando até mesmo aqueles que sofreram efeitos como da quimioterapia pré-cirúrgica, com inflamação ou necrose. 

Também foi esclarecido que o sangue decorrente da cirurgia não atrapalha o processo de atividade da MasPec Pen, desde que não seja abundante. E sobre a solução salina, é recomendado que seja substituída apenas por água, para que não haja interferência. 

Segundo Lívia Eberlin, atualmente o dispositivo está em fase de testes e já foi utilizado em mais de 100 cirurgias de remoção de diversos tipos de tumores, principalmente de mama. Todos os procedimentos foram bem-sucedidos, sem complicações, nem registro de eventos adversos para os pacientes. “Agora seguimos nesse trabalho de validação, buscando parcerias para podermos realizar o maior número de testes possível. Pretendo buscar apoio e parceria de hospitais do Brasil, para viabilizar o projeto e espero que logo a tecnologia esteja apta para uso e disponível para aplicação e atendimento aos pacientes”, afirmou a professora.