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Crescente uso de opioides é debatido em mesa redonda

Especialistas abordam diferenças entre substâncias derivadas do ópio e suas particularidades laboratoriais

Em mais uma mesa redonda na tarde de quarta-feira (25), o 53º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML) recebeu Alvaro Pulchinelli, toxicologista e patologista clínico, presidente regional da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) para São Paulo (capital) e Denize Duarte Pereira, farmacêutica especialista em uso racional de medicamentos. Inicialmente, o especialista em Anestesiologia e Dor pela Associação Médica Brasileira (AMB). 

 

Pulchinelli iniciou sua apresentação explorando os aspectos toxicológicos dos opioides, alertando para uma epidemia no uso dessas substâncias. Ele citou que, em 2017, aproximadamente 47.000 norte-americanos – morreram após uma overdose de opioides, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o órgão de controle de drogas dos EUA. Já no Brasil, ele registrou que a venda de opioides no Brasil teve um salto de 465% entre 2009 e 2015, conforme pesquisa da Fiocruz. Para o toxicologista, os médicos brasileiros “perderam o medo desse tipo de medicamento”. Ele destacou que a heroína, uma das drogas derivadas do ópio, no entanto, “não combina com a personalidade do brasileiro, devido ao efeito de isolamento que a droga causa”.

 

Ele também aproveitou para explicar a classificação desses opioides, como análogos da morfina – os opiáceos naturais, como morfina e codeína – e os derivados sintéticos e semissintéticos, como a heroína e o medicamento Fentanil. O especialista debruçou sobre os mecanismos de ação dessas substâncias, a toxicocinética, ações farmacológicas e explicou questões como tolerância, dependência e as principais moléculas. Seu uso terapêutico e a evolução das prescrições continuaram a abordagem do especialista, que também sintetizou os fatores associados ao uso indevido, a intoxicação, diagnóstico e tratamento.

 

Já Denize Pereira explorou os aspectos laboratoriais, explicando as diferenças entre opioides e opiáceos. Segundo ela, os opioides consistem em produtos totalmente sintéticos com estrutura química diferente, porém com atuação similar à dos opiáceos. Depois de passear por uma variedade de opioides, como propoxifeno e metadona, ela mencionou que a multinacional americana Johnson & Johnson foi condenada a pagar R$ 572 milhões por difundir opioides nos EUA.

 

Pereira chamou a atenção para os riscos das Novas Substâncias Psicoativas (NSP), também conhecidas como legal highs, que simulam efeitos de drogas ilegais, mas que “não utilizam ingredientes ou princípios psicoativos proibidos por lei”, com o objetivo de evadir os mecanismos de controle. Já na análise laboratorial, a especialista debateu as matrizes biológicas e a importância da escolha da amostra, detalhando as diversas opções disponíveis, como urina, saliva, sangue e cabelo, incluindo as vantagens e desvantagens de cada. 

 

Ainda sobre os aspectos laboratoriais, Pereira comentou métodos analíticos, incluindo o Imunoensaio e a Cromatografia, que se divide em gasosa (GC-MS) e líquida (LC-MS). Em seguida, pormenorizou testes de triagem, especificamente o Screening, cuja metodologia utilizada é a imunocromatografia. Mesmo com todas as vantagens apresentadas, a farmacêutica alertou para o problema do “falso positivo”, entre outras desvantagens e “armadilhas”, como ela classificou.