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Infarto: Especialistas discutem diferentes visões de uma das principais causas de morte do mundo

Uma das mesas redondas do primeiro dia do 53º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica Medicina/Laboratorial discutiu os novos critérios para diagnóstico de infarto. A atividade foi coordenada pelo médico patologista José Carlos Carneiro Lima. O cardiologista e chefe da unidade hospital dia do Incor da Universidade de São Paulo, Mucio Tavares de Oliveira, trouxe a visão do clínico, Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, diretor de ensino da SBPC/ML, apresentou a visão do laboratório e o cardiologista Fabio Pitta explorou as formas de construir protocolos assistenciais.

Dr. Oliveira começou discutindo os altos custos do paciente com síndrome coronariana aguda (SCA), levando em conta o volume de internações por infarto agudo do miocárdio (IAM) no Brasil – 270.284 por ano – e o índice de mortalidade antes da chegada à unidade de saúde – cerca de 50%, quando o adequado seria entre um número entre 5% e 6%.

Dr. Oliveira destacou, ainda, as barreiras na abordagem clínica, como a educação do paciente e sua capacidade de reconhecer os sintomas de infarto, a qualidade e o tempo de atendimento pré-hospitalar móvel, assim como o atendimento hospitalar em si. 

Para concluir, Dr. Oliveira ressaltou que, no caso do IAMCST, é necessária a reperfusão imediata e avaliar a possibilidade de angioplastia transluminal coronária (ATC) ou fibrinólise. Já nos casos em que se apresenta o IAMSST, é importante o diagnóstico adequado, administrar troponina, estratificar risco, cuidar do tratamento medicamentoso precoce e o estudo hemodinâmico precoce.

Em seguida, o Dr. Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, explanou a visão laboratorial das troponinas de alta sensibilidade, começando sua apresentação com um caso clínico vida real. Reforçou a importância do diagnóstico e da definição da estratégia de acordo com o risco do paciente. Para ele, “o tempo para fazer a angioplastia é fundamental para a preservação da vida do paciente”. A mortalidade, segundo Dr. Ferreira, é muito inferior para quem realiza o procedimento em até 72 horas.

Com situações hipotéticas, o especialista elencou diferentes condutas diante dos mesmos resultados, como alterações na troponina e a possibilidade de infarto nos pacientes. Em sua fala, alertou para os marcadores disponíveis e obsoletos. Na visão laboratorial, o médico orientou que não se realize exame para dosagem de mioglobina ou CK-MB no diagnóstico de IAM. Em vez disso, utilizar troponina I ou T.

Além disso, Dr. Ferreira mostrou as principais aplicações da troponina de alta sensibilidade, como é o caso da SCA, defendeu a importância de conhecer e validar o ensaio utilizado, definir o ponto de corte, o intervalo entre as dosagens e o Delta de variação (absoluto ou relativo), além de treinar e capacitar os médicos.

Para ele, o futuro reserva que todos os ensaios sensíveis estarão disponíveis, com valores de referência para a população normal, estratificados por idade e sexo. O avanço da inteligência artificial e a utilização de chips implantáveis foram outras possibilidades aventadas.

O terceiro convidado, Fabio Pitta, apresentou formas de construir protocolos assistenciais, fazendo considerações sobre as us-cTn (sigla em inglês para ensaios ultrassensíveis de troponinas cardíacas), trazendo à tona a 4ª definição do diagnóstico de infarto e, também, a aplicabilidade clínica das us-cTn.

O panorama apresentado pelo Dr. Pitta mostra que a cada 26 segundos, uma pessoa apresenta uma SCA e a cada minuto alguém morre por essa causa. Além disso, um terço dos pacientes que infartam, mas sobrevivem, morrem em decorrência do problema ao longo da vida e as doenças cardiovasculares (DCV) são a primeira causa de morte no mundo e no Brasil. 

Ele chamou a atenção para a necessidade de aprender a interpretar as us-cTn e de treinar os colegas a usá-las. Segundo Dr. Pitta, os médicos se beneficiam dos protocolos rápidos com a estratificação precoce, alta precoce e tratamento precoce. Já os pacientes são laureados com a decisão disponível entre 1 e 3h, a redução da ansiedade e a segurança na alta. O SUS é outro beneficiado, segundo ele, com a redução de custos, menor tempo de permanência no pronto-socorro e a melhoria na alocação de recursos.

Dr. Pitta finalizou destacando procedimentos como internar precocemente pacientes com história típica de SCA, independente dos valores de troponina; não interpretar isoladamente o valor da troponina; não solicitar exames complementares nos pacientes com critérios para rule out; confiar na especificidade da troponina para o rule in e a conduta individualizada nos pacientes da chamada zona cinzenta.