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Os riscos da intoxicação por monóxido de carbono em mesa redonda

Especialistas debatem dificuldades no diagnóstico desse problema relativamente comum

Muito presente nos centros urbanos e com diversos desafios para médicos e pacientes, a intoxicação por monóxido de carbono (CO) foi o tema central de mais uma mesa redonda promovida pelo 53º CBPC/ML, nesta quinta-feira (26). Para discutir o assunto, estiveram presentes Alvaro Pulchinelli, toxicologista e patologista clínico, presidente regional da SBPC/ML para São Paulo (capital), a farmacêutica Denize Duarte Pereira, especialista em uso racional de medicamentos e Sérgio Graff, médico toxicologista, professor da disciplina Toxicologia Clínica na Unifesp.

 

Pulchinelli abordou os aspectos toxicológicos do monóxido de carbono, lembrando que é um gás incolor, inodoro, insípido, não irritante e tem como origem a combustão incompleta. Ele citou que nos EUA, são registradas aproximadamente 5 mil mortes por ano relacionadas ao CO. Para ele, “infelizmente a classe médica não está preparada para lidar com esse problema”. 

 

Os aspectos ambientais, como concentrações e fontes de exposição foram detalhados em sua apresentação. Entre as fontes, estão os motores de combustão interna, indústria, aquecedores domésticos, incêndios, tabagismo e os removedores com diclorometano. A toxicocinética da substância também foi destrinchada pelo especialista, que detalhou que, no que tange à distribuição no organismo, 80% se concentra no sangue e 20% nos tecidos. Em relação ao quadro clínico, ele pontuou que “a vítima não percebe o que está acontecendo”. 

 

Já Denize Duarte Pereira explorou os desafios e dúvidas da dosagem de carboxihemoglobina, incluindo a “disputa voraz do monóxido de carbono com o oxigênio”. Ela lembrou que esse é um dos gases mais nocivos e a intoxicação pode ocorrer de “forma acidental ou como tentativa de suicídio”. Segundo Pereira, o CO possui cerca de 200 a 300 vezes mais afinidade com a hemoglobina que o oxigênio”, que faz com que o gás se ligue de maneira bastante estável a essa metaloproteína, diminuindo sua quantidade disponível para o transporte de oxigênio pelo corpo humano.

 

A farmacêutica esclareceu que a exposição ao CO pode ser avaliada pela medida da concentração em amostras ambientais – monitorização ambiental – denominados indicadores biológicos ou biomarcadores. Para ela, o método analítico deve ser escolhido levando em conta a exatidão, precisão, praticabilidade, sensibilidade, especificidade e baixo custo. Entre eles, os espectrofotométricos têm sido “muito utilizados pelo seu baixo custo, rapidez e simplicidade”. Já com os detectores, populares nos EUA, deve-se “levar em consideração os métodos utilizados, a calibragem e a eficiência”.

 

Por fim, Graff trouxe para a discussão o atendimento ao paciente intoxicado pelo CO. Segundo ele, “não estamos acostumados como os americanos e europeus, pois não fazemos uso frequente de calefação e a maioria dos chuveiros é elétrica”. O médico ressaltou que “existe uma diferença crucial entre o vazamento em aquecedor e a intoxicação no incêndio”. De acordo com ele, em incêndios “centenas ou milhares de produtos químicos entram em combustão”. Por isso, existe a associação com substâncias como o cianeto e o sulfeto de hidrogênio (gás sulfídrico). 

 

No atendimento, ele afirmou que entre os tipos de efeitos, estão os asfixiantes – simples ou químicos – e irritantes. O CO enquadra-se na categoria de asfixiantes químicos. Conforme Graff, há uma série de fatores de gravidade, como tempo de contato, volume, concentração do agente, entre outros. As manifestações clínicas podem ser confundidas, segundo ele, com um quadro viral, como cefaleia, vertigem, fraqueza muscular, etc. Por isso, é importante “reforçar o lado humano da medicina e conversar com o paciente”.